barrancos

Nas terras arraianas  escuta-se o falar barranqueno. A cultura arraiana é uma cultura de singularidades. A linguagem mistura o português meridional com o castelhano extremenho. As terras foram mineradas na antiguidade. As minas de Aparis são testemunho ainda visível, juntamente com alguns castelos em xisto. A pastorícia outra atividade que deverá ter trazido alguma prosperidade  e facilitado o assentamento. A História escreve-se ainda com linhas pouco precisas. De Noudar o concelho desloca-se para a atual vila de Barrancos  com a União Ibérica. Terra ermas e isoladas que explicam os falares arcaicos que Leite de Vasconcelos, em 1939, deixou na “Filologia Barrenquena”.

Na visita ao Museu Municipal de Arqueologia e Etnologia de Barrancos, instalado num pátio duma das casas apalaçadas a sul da Praça da Liberdade, encontram-se os resultados das escavações arqueológicas, quase todas elas provenientes do Castelo de Noudar. Um pátio com pergoildas e um pequeno anfiteatro e duas salas. Uma de arqueologia e outra de “etnologia”. Na arqueologia encontramos a clássica sequência: O paleolítico e o calcolítico com alguns exemplares da escrita ibérica, o romano, o visigótico, o islâmico e o medieval. As cerâmicas testemunham essa medievalidade. Depois fala-se das dificuldades de povoamento, da mudança para a vila de Barrancos, até que hoje, Noudar feito Monumento Nacional, em 1911, faz parte da sua memória.

A parte etnológica é constituída por peças dos médicos com consultório em Barrancos. O médico Pelicano Fernandes, um dos melhores alunos do curso de medicina em 1930 e picos, convidado por Pulido Valente para assistente, que acaba por regressar à terra natal, para se dedicar durante cinquenta anos a tratar os seus conterrâneos. A sala do museu mostra velhos objetos.

A questão das narrativas acaba por ser também visível no Largo da Liberdade. dum lado a sociedade dos rapazes, do outro dos senhores. Um dualismo duma vila que se reune no último domingo da agosto, para nessa praça afirmaras suas tradições de lidar os toiros bravos.

escritaiberica

No café central falamos destas coisas, e doutros. Por exemplo, dos protestos dos habitantes da Nova aldeia da Luz. Queixam-se os senhores que “agora os pobres têm casas iguais a nós”.

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