Crescer como cresce uma montanha

Crescer como cresce uma montanha

Já aqui abordamos nos diários de viagem (ver aqui e aqui) a questão dos provérbios e da sua abordagem no campo de museologia, Durante o 9º Congresso de Estudos Africanos que se realizou em Coimbra encontramos um pequeno livrinho “Rio sem Margem”, que já nos inspirou.

Trata-se dum  2º livro sobre poesia de tradição oral, publicado por Zetho Cunha Gonçalves, na editora nossomos, em 2013.

riosemmargem

A leitura deste livrinho veio acentuar o valor do uso deste tipo de material, com origem na oratura para o trabalho de construção de narrativas museológica. A sua cartografia constitui um bom motivo para o desenvolvimento de trabalhos participativos.

Vejamos este exemplo, oriundo da tradição oral Nyaneka- Humbi que liga a poesia á oratura

Crescer como cresce uma montanha

Se és mais velho, propõe – e lança a advinha,

se és um jovem, ou uma criança, decifra o seu enigma

– e crescerás, como cresce uma montanha

É o primeiro provérbio. Vamos aqui dando conta dos seguintes. Isso leva-nos à pergunta sobre qual a idade da voz humana. Esse canto que nos liga através do tempo.

Em Coimbra li estes textos e dei-me conta que estes rastos do passado nos chegam através da poesia. E uma forma de tornar social o individuo. E também através da voz que o saber se foi transmitindo. Pequenos poema tornados provérbios. A poética na sua forma escrita, e também uma ponte entre os tempos. A voz, sendo individual transporta   o coletivo.

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