Olhar o Indico a partir do Catembe

A sul da cidade de Maputo, do outro lado do rio Tembe aberta ao Oceano Indico o Katembe é uma zona urbana em acentuada transformação. Costa Neto, músico moçambicano canta história de Mandjolo , uma aldeia sobranceira ao Índico, feita de movimentos de diaspora. Uma história micro feita entre as culturas tradicionais dos aguerridos pastores da África Austral e os movimentos de urbanização, primeiro colonial, que traz comunidades indianas, e de seguida pós-colonial, que favoreceu o crescimento demográfico e urbano e agora à beira da globalização. Este artigo procura olhar os movimentos de transição do espaço a partir das narrativas biográficas dos seus habitantes, confrontados com a sua percepção da mudança.

A construção da ponte sobre o rio Maputo e estrada para a Ponta do Ouro está a induzir fortes pressões num espaço, propiciando a especulação imobiliária. De periferia urbana o Catembe entra no processo de globalização através duma nova centralidade urbana que inevitavelmente induz transformações no tecido social. Este artigo procura entender, a partir das narrativas biográfica, o modo como os habitantes locais percepcionam a mudança e entender os processos de resiliência para enfrentar os conflitos que decorrem da transformação do uso do espaço, da alteração da propriedade e da mudança na sua composição social e redes de relacionamento

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