Pós – 2015 e a Teoria do Desenvolvimento II

Os Resultados das OID

De um modo geral ao olharmos para a evolução do PIB per capita em África podemos considerar que é uma evolução muito favorável nos últimos 15 anos. No continente há vários países com taxas de crescimento elevadas e sustentáveis. O Indicie de Desenvolvimento Humano, que procura medir o bem-estar e o grau de satisfação também se registou um crescimento elevado. Veja-se por exemplo o Relatório do PNUD sobre Desenvolvimento Humano em 2014

Esses resultado não invalidam que os índices, apesar de apresentarem um forte crescimento, em comparação com outros tempos, são ainda baixos e distribuídos de forma irregular entres os diversos países. grosso modo, esse crescimento está baseado na venda de matérias primas e recursos naturais. Isso é um elementos preocupante para prespectivar a sua sustentabilidade não. Não só há regiões onde não não existem matérias -primas para alavancar esse crescimento, como não se está a verificar uma relação entre o acesso a bens e serviços e os investimentos em educação, saúde e no combate à pobreza. A questão da igualdade de oportunidades no acesso aos benefícios não parece estar a verificar-se. Em suma este crescimento económico não parece relaciona-se com a diminuição da pobreza que, indubitavelmente, nestes últimos 15 anos se alcançou.

Crescimento Inclusivo

Como fazer com o crescimento económico pode reduzir a pobreza. Emprego e produtividade. Em áfrica produz-se pouco com fraco rendimento. O desemprego é uma má medida. A maioria da população trabalha em setores informais. Emprego vulnerável. 4/10 africanos tem menos de 1 U$ por dia. Crise de transformar o crescimento em emprego.

Agenda 2015. trazer para a discussão da agenda a questão da natureza do desenvolvimento económico

Como fazer uma agente ativas

Lição.  É importante ter objetivos. Ambiciosas, comunicar. Mobilizar

É necessário que os objetivos sejam mobilizados pela população.. Fazer chegar as pessoas os objetivos.

Haver uma harmonia entre as diferentes organizações internacionais.

Desafios. Juntar os objetivos. A ajuda ao desenvolvimento versus aplicação de politicas públicas. Um objetivo único.

O mundo da cooperação internacional hoje é diferente. Há países emergentes e não querem ser doadores.

O problema do que mostram os números.

A questão da igualdade, governação, conflito, vai dificultar a formulação dos conflitos

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O pós-2015 – Teoria do Desenvolvimento I

O que é que vai acontecer  após 2015 com os compromissos que se estabelecerem em 2000 quando se aprovaram os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM).

Mais à frente falaremos sobre esta questão. Agora importa formular algumas questões sobre de que forma esse compromisso pode prosseguir, a partir das suas avaliações, (também falaremos disso noutro artigo nesta série) para se alcançarem ou reformularem esses desígnios.

Será talvez mais prudente pensar em reforço das estratégias para alcançar os objetivos em áreas de menor eficácia, do que reformular. Reformular, implicaria um longo e complexo processo de negociação, num ambiente internacional turbulento.

Na reformulação há três questões que merecem ser reflectias:

1. a questão da desigualdade.

2. a questão da mudança estrutural

3. a qestão da cultura

 

 

A linha de Adriadne e as questões da Inovação social

Fio de Ariadne ou a linha, remete-nos para a lenda homónima. aqui interessa-nos como elemento de promoção de inovação social.

Como método de resolução de problemas baseia-se na lógica, e tem como objetivo mapear os caminhos de construção de possibilidades. Aproxima-se por passos, segmentos de problemas, construindo um algoritmo de solução ou soluções.

Ao contrário do sistema de tentativa erro, mais clássico, onde as soluções são testadas, a linha de Adriedne, procura seguir caminhos a partir de informações particulares, que satisfazem um dado requesito, até que se atinja um ponto final desejado.

O Alvarinho é nosso ou da autenticidade de Património

De viagem para Coimbra para mais uma reunião de trabalho, com tempo para saborear a cidade, resolvo apanhar o comboio que vem da Figueira da Foz para Coimbra A. Porque da B já falei no posta anterior. Saio da estação e embrenho-me nas vielas da cidade velha ou Bairro de Santa Cruz. Paro na casa de pasto /taverna de António Pinto de Vasconcelos, para comer uma sandes de leitão da Bairrada antes de me aventurar a atravessar o arco da Almedina e trepar o quebra costas.  O empregado, brasileiro por sinal, serve-me uma generosa sandes, com molho picante. Forneceu-me ainda, extra pão, uma crosta estaladiça, que delicadamente recusei, a pensar que não faria nada bem ao colestrol.

Na TV dava conta duma manifestação, lá para as bandas de melgaço. Um punhado de lavradores, de capote e chapéu redondo, tal qual as personagens das “pupilas do sr. Reitor” do Júlio Dinis, naquele velhinho filme de Leitão de Barros de 1935. As personagens chamaram-me a atenção pelo seu ar castiço em 2015, simulando uma tradicionalidade. O meus espanto foi ainda maior quando entendi o motivo da manifestação.

Protestavam então os castiços lavradores contra a expansão da Região Demarcada do Vinho Alvarinho uma proposta da Comissão de Vinicultura do Vinho Verde. Ou seja Melgaço e Monção reivindicam a manutenção da denominação de origem do vinho. Segundo os manifestantes, alargar a Denominação de Origem vai baixar os preços da compra do uva, e lançar 700 famílias na pobreza.  É a única coisa que lá têm. já não há agricultura e já não há contrabando.Um negócio de 17 milhões de euros a ir por água abaixo. E canta-se:

O alvarinho tem dono / como manda a tradição, / é de Melgaço / e de Monção.

Confesso que tenho alguma dificuldade em perceber como é que este património, em nome da tradição deve ficar imóvel. É certo que o Alvarinho é o melhor dos vinhos verdes. É uma marca mais forte do que o viño ribeiro da Galiza (de onde de resto também há alvarinho) ou do vinho Loureiro, mas enfim apesar de tudo há que separar a questão das marcas da questão das castas.

Ora dizer que um planta é nossa, só pode ser cultivada aqui, porque aqui é que ela é boa não tem nada a ver com a questão da autenticidade do património. se assim fosse ainda estariamos na idade da pedra. Mas enfim. O problema é pois o negócio… Mas também aí sabemos que há os velhos do restelo. No século XIX os operários destruiam as máquinas que pensavam que lhes iam tirar o trabalho. Cem anos depois, os trabalhadores depositavam, nessas mesmas máquinas a esperança da libertação da escravidão do trabalho. Hoje as máquinas foram-se e foi-se o trabalho. Mas ainda temos o alvarinho.

Estranho mundo este

 

Social Neurocience and emancipatory process II

Os Contextos da Neurociência social

O nosso sentido do real ( e entendemos aqui real como tudo aquilo que se opõe à percepção) esta alicerçado na experiência dos sentidos de cada indivíduo. Admitimos que a experiencia é sempre individual. É com base no individuo que todo o conhecimento científico sobre o cérbero tem sido construído (Cozolino, 2014). Enquanto estamos preocupados com a analise dessa individualidade, a nossa mente está a ser estimulada, influenciada e regulada por aquelas que nos rodeiam (ib idem). Esta ideia de que todos estamos ligados, que somos criaturas sociais, que temos cérebros e pensamentos que fazem parte de organismos mais alargados que chamamos famílias, comunidades e culturas, não sendo nova, apenas apenas recentemente tem sido abordada como fenómeno social.

A ideia de que para entender a pessoa é necessário olhar para além do individuo é a base do conceito de sinapse social, introduzida por Cozolino na Neurociencia. A sinapse social, (por analogia com a sinapse cerebral, do impulso que liga as redes de neurónios, produzindo ações) constitui a rede de ligação entre os elementos do grupo da espécie humana que permite o reconhecimento de relevâncias. Para alem da linguagem, as sinapse sociais incluem igualmente a gestualidade, a analise dos elementos reflexivos gerados pelo real. Essa rede cria uma relação télica que ligam em rede os membros da comunidade.

Num dado momento da evolução biológica dos seres humanos adquire-se a capacidade de reconhecer as suas próprias ações. Isso é uma evidência no crescimento das crianças da espécie humana, que passam anos a treinar essas capacidades, que são consideradas um atributo na fase adulta. Há pois uma capacidade estruturada que envolve de reconhecimento das competências mentais ou determinados pressupostos que interrelacionam essas atitudes de forma complexa. Sentimentos como medo, desejo, crença ou esperança são relações exemplos dessas relações mentais complexas que se manifestam no individuo mas que são experienciadas de forma social ou colectiva.

A neurociência procura responder ou compreender de que forma as capacidades neuronais individuais estão relacionadas ou implicadas na interacção social. A neurociência social, mais do que saber onde é que o processo de consciência se forma no cérebro, procura entender de que forma é que esses processos se relacionam com a ação social dos indivíduos.

Em Social Neurocience in context: narrative, preatices, niche constrution and neural partterns, Daniel Hutto e Michel Kirchhoff, um artigo a publicar em “Cognitive System Rsearch”  procuram responder a essa questão[1].partindo das análises sobre uma Teoria da Mente, que através da qual a psicologia procura explicar as instancias do mecanismo cognitivo, que segundo os autores mais não fez do que produzir uma Teoria do Mecanismo da Mente (TMM). Esta teoria acabou por se dedicar a fixar a arquiteura neuronal. Nesse artigo, os autores efectuam uma crítica a esse processo, argumentando que a teoria da mente e a teroa do mecanismo cognitivo estão ligada na assumção de que o fenómeno se processo no cérbero com unidade de análise.

Propõem uma visão alternativa sobre uma psicologia como prática socio-cultural. Combas nos argumentos desenvolvidos pela neurociência, pela psicologia da interculturalidade e pela arqueologia da cognição, procuram demonstrar  de que  o processo de conhecimento é uma prática social fundada nas narrativas criadas a partir de núcleos que geram padrões neuronais endoculturais.

A base dos argumentos dos autores é de que a aquisição de competências neuronais se desenvolveu em contexto social, a partir da construção de narrativas sociais. As narrativas sociais, a produção de histórias de vida partilhadas pelas comunidades, constituíram a base da memoria individual, que vai sendo acrescentada em módulos. Este módulos, que se forma a partir de organização de nichos de competências que levam à produção de artefactos socias. A criação destes artefactos, que se podem constituir como simbólicos através das histórias, constitui o processo chave que leva á produção de sentido, de relevâncias, ou em termos gerais à produção da razão. No entanto, com a neurociência já tem vindo a chamar a atenção, razã e emoção convivem como processo cognitivo. A hipótese da construção de narrativas sociais também permite incluir os modos de ser e estar dados pelas práticas sosicias. (os modos de ouvir, de sentir, de testar o mundo. Estas prática não se constituem como modelos tradicionais de reconhecimento do mundo desligados dos processos de represdentação do conhecimento dessa cultura. As práticas culturais constituem-se elas próprias como capacidades de conhecimentos do mundo.

A formação das redes neuronais tem por base as redes de padrões práticos na hipótese dos autores. Os rituais e os treinos assumem assim funções essenciais às praticas socias de agregação da comunidade. Uma conclusão que noutro lugar já tinhamos estabelecido na ligação entre a produção de rituais e a produção de inovação social (Leite, 2012). O trabalho dos autores confirma as hipótese que aí avançamos, bem como os nossos desenvolvimentos mais recentes (Leite, 2014), de que a produção de padrões de pratica medeia a cultura com a produção de capacidades humanas inatas, e de que são essa capacidades praticas que permitem a coordenação das capacidades das redes neuronais e  a sua extenção para o social. Dessa forma abre-se a questão sobre a efectividade da existência dum cérbero social, um espaço de narrativa do individuo em contexto. A matéria das narrativas constitui os elementos da análise desse fenómeno. Introduzem através dessa análise o conceito de mente extendida (que integra o que é inato e o culturalmente adquirido). Um conceito que apresenta alguns problemas teórios. A questão da fronteira do cérebro na cognição não deixando de ser biológica também não deixa de ser cultural, ou mais propriamente um processo de culturação. A teoria de que a construção de rede de neurónios estável, que se constituem como um andaime, e que permitem, uma vez adquridias, a manutençãs das diferentas capacidades, também é problemática. Na verdade estamos sempre  em interação com o exterior, e assim sendo, esse cérberos individuais estão em constante processo constituindo esse cérberos extendido uma unidade difícil de padronizar.

O que sabemos que que cada um está em constantanes interacção com o exterior para aproveitar as vantagens possíveis e que esse contexto é fluído. Em suma a proposta da neurociência social em contexto propõe em alternativa ao trabalho de procura dos mecanismos neuronais herdados biologicamente, a investigação do papel desempenhado pelos padrões culturais adquridos na formação de padrões neuronais que habilitam a produção de nichos de narrativas e praticas sociais.

Social Neurocience and emancipatory process I

A Neurociência social constitui um campo de conhecimento, que desde os anos 90 do século passado, procura esclarecer a relevância dos fenómenos psíquicos na produção de ação em contexto social. O entendimento do processo de valorização de certos objetos a quem é atribuída uma relevância simbólica numa dada comunidade, e através dela a exclusão de uma imensidão de outros, constitui um campo de trabalho sobre os processos psicossomáticos e somáticos que produzem uma ação social.

A relação entre o mundo das ideias e os fenómenos psíquicos que a neurociência tem trabalhado demonstra que o pensamento é uma expressão da organização complexa da matéria. A partir da experiencia do existir, o psiquismo tem vindo a demonstrar as suas características de organização sistémica da mente que emerge no processo de evolução biológica. A experiencia não se constitui apenas como uma consciência, mas é também um processo transformador que decorre do reconhecimento relacional do ser em contexto. A experiencia do ser em contexto produz uma dimensão implícita observável através do seu centro de produção de processos de memorização e aprendizagens. A recordação e a recuperação das experiencias ocorridas no espaço e no tempo, através da sua injunção conduzem à produção de relações entre padrões e a á analise de possibilidade de adaptação em novas situações.

O processo da transformação resulta desse processo interactivo e subjectivo, entre a experiencia do ser e a adequabilidade ao contexto da ação. Um processo de formação de intersubjectividade que decorre do conhecimento relacional implícito que surge no momento.