Coimbra B e o paradoxo tuga

 

Viajo frequentemente a Coimbra. Por isso fico preplexo pela periferia desta estação – uma estação que se chama Coimbra B numa grande cidade. Uma estação onde param todos os comboios que vão de norte a sul e de lisboa para aeuropa. B um paradoxo. Uma estaçãoonde se atravessa a pé. Pare escute e olhe. Caramba. Numa estação internacional …

Lembro-me que em 1964, ainda com três anos, de chorar de medo em Coimbra. Hoje lembrei-me porque. A plataforma é estreita demais. Tem a dimensão dum apeadeiro.

Por isso na altura eu chorava de medo. vindos de Lisboa, parava-se em Coimbra para esperar o comboio para a Beira. Comboios a vapor. Cavalos de ferro a rugir vapor e buzinadelas quando passavam na linha. Lembro-me de esconder a cabeça no colo da minha mãe. Com medo do barulho ensurcedor.coimbraB2

Um enigma. O enigma Português tem vindo a ser trabalhado por muitas gerações de intelectuais. Entender o porquê da estabilidade das fronteiras durante novecentos anos, numa Europa envolvida em profundas convulsões não será tarefe fácil.

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Ao certo sabemos que Coimbra, sobre o rio Mondego é uma urbe que articula o Baixo Mondego, mais pantanoso e ligado ao mar, com as serranias do Estrela e Caramulo. Através de Coimbra  fazia-se também a ligação com as terras do sul, do Arunca (Pombal) e do Liz, a sul e do Vouga a norte. Terá sido a sua posição estratégica que ao longo dos tempos lhe terá vindo a conferir uma predominância sobre os demais territórios.

Sabemos, pelas suas ruínas que aí terá existido uma urbe pujante. Na idade média era um condado, fronteira da guerra entre cristãos e mouros. Uma fronteira que lhe terá conferido a sua identidade Moçarabe, um termo que hoje se usará pouco nas terras lusas, mas ilustra uma certa continuidade cultural nas terras do centro e da estremadura.

A sua escolha para centro universitário, pelo rei Diniz em 1308, aonde chega transferida de Lisboa, então com o nome de Estudos Gerais, criada pela carta “Scientiae thesaurus mirabilis”, em 1290, marcará a sua condição de uma das mais antigas universidades europeias. Dela sairão, para todo o país e para todo o império, os lentes versados em leis, na botânicas, na medicina, na retórica e na envangelização. Entre 1537 e 1910 é o único centro universitário no país, condição que ainda a marca. O tradicional castelo das cidades medievais é hoje ocupado pela Universidade.

O estranho de tudo isso, é que sendo uma articulação entre o norte e o sul do país, em teoria uma das suas maias importantes cidades, seja, do ponto de vista ferroviário, uma estação marginal. Ponto obrigatório de paragem de todos os comboios, a estação movimenta, desde à décadas, depois do afluxo dos milhões de Bruxelas, coimbra é uma estação B. Onde se atravessa alinha. Atento ao Pare, escute e olhe. Uma aflição !

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