Social Neurocience and emancipatory process II

Os Contextos da Neurociência social

O nosso sentido do real ( e entendemos aqui real como tudo aquilo que se opõe à percepção) esta alicerçado na experiência dos sentidos de cada indivíduo. Admitimos que a experiencia é sempre individual. É com base no individuo que todo o conhecimento científico sobre o cérbero tem sido construído (Cozolino, 2014). Enquanto estamos preocupados com a analise dessa individualidade, a nossa mente está a ser estimulada, influenciada e regulada por aquelas que nos rodeiam (ib idem). Esta ideia de que todos estamos ligados, que somos criaturas sociais, que temos cérebros e pensamentos que fazem parte de organismos mais alargados que chamamos famílias, comunidades e culturas, não sendo nova, apenas apenas recentemente tem sido abordada como fenómeno social.

A ideia de que para entender a pessoa é necessário olhar para além do individuo é a base do conceito de sinapse social, introduzida por Cozolino na Neurociencia. A sinapse social, (por analogia com a sinapse cerebral, do impulso que liga as redes de neurónios, produzindo ações) constitui a rede de ligação entre os elementos do grupo da espécie humana que permite o reconhecimento de relevâncias. Para alem da linguagem, as sinapse sociais incluem igualmente a gestualidade, a analise dos elementos reflexivos gerados pelo real. Essa rede cria uma relação télica que ligam em rede os membros da comunidade.

Num dado momento da evolução biológica dos seres humanos adquire-se a capacidade de reconhecer as suas próprias ações. Isso é uma evidência no crescimento das crianças da espécie humana, que passam anos a treinar essas capacidades, que são consideradas um atributo na fase adulta. Há pois uma capacidade estruturada que envolve de reconhecimento das competências mentais ou determinados pressupostos que interrelacionam essas atitudes de forma complexa. Sentimentos como medo, desejo, crença ou esperança são relações exemplos dessas relações mentais complexas que se manifestam no individuo mas que são experienciadas de forma social ou colectiva.

A neurociência procura responder ou compreender de que forma as capacidades neuronais individuais estão relacionadas ou implicadas na interacção social. A neurociência social, mais do que saber onde é que o processo de consciência se forma no cérebro, procura entender de que forma é que esses processos se relacionam com a ação social dos indivíduos.

Em Social Neurocience in context: narrative, preatices, niche constrution and neural partterns, Daniel Hutto e Michel Kirchhoff, um artigo a publicar em “Cognitive System Rsearch”  procuram responder a essa questão[1].partindo das análises sobre uma Teoria da Mente, que através da qual a psicologia procura explicar as instancias do mecanismo cognitivo, que segundo os autores mais não fez do que produzir uma Teoria do Mecanismo da Mente (TMM). Esta teoria acabou por se dedicar a fixar a arquiteura neuronal. Nesse artigo, os autores efectuam uma crítica a esse processo, argumentando que a teoria da mente e a teroa do mecanismo cognitivo estão ligada na assumção de que o fenómeno se processo no cérbero com unidade de análise.

Propõem uma visão alternativa sobre uma psicologia como prática socio-cultural. Combas nos argumentos desenvolvidos pela neurociência, pela psicologia da interculturalidade e pela arqueologia da cognição, procuram demonstrar  de que  o processo de conhecimento é uma prática social fundada nas narrativas criadas a partir de núcleos que geram padrões neuronais endoculturais.

A base dos argumentos dos autores é de que a aquisição de competências neuronais se desenvolveu em contexto social, a partir da construção de narrativas sociais. As narrativas sociais, a produção de histórias de vida partilhadas pelas comunidades, constituíram a base da memoria individual, que vai sendo acrescentada em módulos. Este módulos, que se forma a partir de organização de nichos de competências que levam à produção de artefactos socias. A criação destes artefactos, que se podem constituir como simbólicos através das histórias, constitui o processo chave que leva á produção de sentido, de relevâncias, ou em termos gerais à produção da razão. No entanto, com a neurociência já tem vindo a chamar a atenção, razã e emoção convivem como processo cognitivo. A hipótese da construção de narrativas sociais também permite incluir os modos de ser e estar dados pelas práticas sosicias. (os modos de ouvir, de sentir, de testar o mundo. Estas prática não se constituem como modelos tradicionais de reconhecimento do mundo desligados dos processos de represdentação do conhecimento dessa cultura. As práticas culturais constituem-se elas próprias como capacidades de conhecimentos do mundo.

A formação das redes neuronais tem por base as redes de padrões práticos na hipótese dos autores. Os rituais e os treinos assumem assim funções essenciais às praticas socias de agregação da comunidade. Uma conclusão que noutro lugar já tinhamos estabelecido na ligação entre a produção de rituais e a produção de inovação social (Leite, 2012). O trabalho dos autores confirma as hipótese que aí avançamos, bem como os nossos desenvolvimentos mais recentes (Leite, 2014), de que a produção de padrões de pratica medeia a cultura com a produção de capacidades humanas inatas, e de que são essa capacidades praticas que permitem a coordenação das capacidades das redes neuronais e  a sua extenção para o social. Dessa forma abre-se a questão sobre a efectividade da existência dum cérbero social, um espaço de narrativa do individuo em contexto. A matéria das narrativas constitui os elementos da análise desse fenómeno. Introduzem através dessa análise o conceito de mente extendida (que integra o que é inato e o culturalmente adquirido). Um conceito que apresenta alguns problemas teórios. A questão da fronteira do cérebro na cognição não deixando de ser biológica também não deixa de ser cultural, ou mais propriamente um processo de culturação. A teoria de que a construção de rede de neurónios estável, que se constituem como um andaime, e que permitem, uma vez adquridias, a manutençãs das diferentas capacidades, também é problemática. Na verdade estamos sempre  em interação com o exterior, e assim sendo, esse cérberos individuais estão em constante processo constituindo esse cérberos extendido uma unidade difícil de padronizar.

O que sabemos que que cada um está em constantanes interacção com o exterior para aproveitar as vantagens possíveis e que esse contexto é fluído. Em suma a proposta da neurociência social em contexto propõe em alternativa ao trabalho de procura dos mecanismos neuronais herdados biologicamente, a investigação do papel desempenhado pelos padrões culturais adquridos na formação de padrões neuronais que habilitam a produção de nichos de narrativas e praticas sociais.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s