Lusotopia e Geocultura

Armando Marques Guedes brinda-nos neste primeiro dia do ano com uma reflexão sobre a “A Lusofonia e a Segurança do Atlântico Sul” : como desdobrar o papel da ‘grande segurança’ no futuro de uma ligação histórica indelével , um texto apresentado na confraria marítima de portugal, em Abril de 2014.

Segundo o autor, cuja apresentação se pode ver aqui , a lusofonia, iso é a CPLP têm condições para se tornar num ator global.

Segundo Marques Guedes, o Atlântico Sul, que se tornou num mar pouco interessante, em detrimento do Atlântico Norte, durante os últimos cem anos, é hoje um espaço marítimo de disputa.

Na análise de Mackinder, de confrontação geo-estratégica entre as potências marítimas e continentais desenvolvia-se na luta pelo domínio dos mares, mais propriamente pela liberdade de navegação. Nessa teoria, as potencias marítimas, identificadas pelos Estado Unidos e Grã-Bertanha, deveriam lutar para dominar o mar. O Atlântico Norte emergiu, após a segunda-guerra mundial como o espaço de ligação entre estas duas potências aliadas contra a potencia continental, identificada como a Russia. O Tratado do Atlântico Norte, assim o comprovaria.

Essa realidade alterou-se. Segundo Armando Marques Guedes, por várias razões que detalha e que vale a pena analisar. A grande alteração ocorre com a abertura do novo Canal do Panamá, prevista para 2015. Uma alteração na dinâmica e intensidade dos fluxos de comércio, a juntar aos que já existem. É de realçar as possíveis implicações na alterações ou intensificação das rotas do narcotráfico que se reorientarão em função do previsível alteraração dos diferentes fluxos. Marques Guedes analisa, e isso é bastante interessante, o que se está a passar com os diferentes atores da região. Atores locais e globais, incluindo as questões do controlo das matérias primas, da exploração da Antártida, etc.

E nesse contexto que analisa a questão das possibilidades da Lusofonia. Segundo Marques Guedes, o mundo global articula-se em torno de cinco blocos e interesses divergentes:

Quais os agrupamentos emergentes? Julgo que são 5 (cinco):

    1.  um grupo minoritário, mas também bastante grande, de pró-ocidentais, largamente um sub-produto das PfP da NATO e as Políticas de Vizinhança da UE – um agrupamento ocidentalizante, sem Estados-Directores evidentes, mas “maritimamente” regionalizado;
    2. um agrupamento quase da escala deste segundo, mas de natureza (ou radicação) regional, muito parecido com o primeiro, mas não idêntico, pois responde estritamente a pressões regional/continentais típicas da ONU (ora a UA, ora a OEA; ora a ASEAN) – um agrupamento regionalista, mas desta feita sem Estados-Directores;
    3. Um grupo muito mais pequeno, alinhado com uma Rússia apostada numa nova bipolaridade EUA/Rússia (os ALBA e uns poucos islamistas dependentes de Moscovo); um agrupamento pró re-bipolarização, catalizado por Moscovo;
    4. Um grupo significaivo de “ausentes”, ou indiferenciados; um agrupamento não-empenhado com nada nem ninguém, verdadeiramente não-alinhado no sentido clássico de Bandung.” (citação do slide 201)

    São, note-se bloco emergentes, que se degladiam debaixo duma supervisão, mais atuante ou mais conflitual da super potência EUA. Saliente-se igualmente a análise que de seguida faz, a propósito do caso da Ucrânia, dos alinhamentos securitários regionais. Alinhamentos que são analisados por eixos cardeais: horizontal norte e horizontal sul, e vertical este e vertical oeste. Sub-regiões de interesse estratégico que lhe servem para analisar os diferentes posicionamentos dos estados membros da CPLP, dos observadores associados ou potencialmente interessados em associação.

lusofonia

Ora segundo Marques Guedes esta distribuição regional faz com que não exista uma convergência de interesse estratégico. Por exemplo, olhando apenas para os membros, encontra pertenças a quatro dos cinco grupos (com Angola, Moçambique, São Tomé, no agrupamento regional, Portugal e Cabo-Verde, no agrupamento ocidental, O Brasil no difusamente multipolar, e finalmente a Guiné e Timor nos “não-alinhados”. Esta polaridade de interesses acará por ser a grande valia da CPLP apostando num tipo de organização tipo “Forum Macau“. Ou seja mais uma vez a geo-estratégia alinha-se pela geo-economia. Sinais dos tempos

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