Carta à Presidenta Dilma Rousseff

Leonardo Boff

Estimada Presidenta Dilma Rousseff,

Nós, participantes do Grupo Emaús abaixo relacionados, queremos parabenizá-la por seu esforço e desempenho durante a árdua campanha eleitoral, bem como pelas conquistas de seu primeiro mandato. Somos um grupo de teólogos/as de várias Igrejas cristãs, sociólogos/as, educadores/as e militantes que nos encontramos regularmente há quatro décadas. Estamos todos comprometidos na construção de um Brasil, social e economicamente mais justo, solidário e sustentável.

A maioria batalhou, desde o início, em favor do PT e de seu projeto de sociedade. Nessas eleições de 2014, muitos de nós expressamos publicamente nosso apoio à sua candidatura. Discutimos e polemizamos, pois, percebíamos o risco de que o projeto popular do PT, representado pela Senhora, não pudesse se reafirmar e consolidar. Para nós cristãos, especialmente nas milhares de comunidades de base, tínhamos e temos a convicção de que a participação política, de cunho democrático, popular e libertador, se apresenta como um…

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Oratura e narrativas na oralidade

A leitura em voz alta é uma atividade antiga. Contavam-se as histórias em voz alta nas feiras e mercados como entretenimento. A leitura em voz alta é hoje uma atividade educativa com uma tecnica. Destingue-se do conto.

O que é necessário para fazer a leitura em voz alta.

  • é contar uma história dum livro
  • é necessário escolher um bom livro. Um texto adequado para a leitura. Nem todos os livros são bons para ler em voz altar. É preciso escolher o livros
  • treinar a leitura.  Ler em voz alta é uma arte para dar vida às palavras.

Originalmente escrevia-se para se ler em voz alta. os livros par a leitura em voz alta tem uma narrativa específica. A narrativa é sinuosa. Eliptica. O assunto é sucessivamente abordado.

Nos últimos 200 anos perdeu-se a leitura em voz alta. A leitura e a sua expansão passou pela leitura silenciosa. A escrita deixou de ser pronunciada. É uma escrita linera. A leitura em voz alta procura recuperar esse encantamento do som da palavra.

É necessário reaprender a leitura em voz alta. é necessário entender a estrutura narrativa dum texto para ser lido em voz alta. A leitura em voz alta, com uma estrutura elíptica é mais adequada ao pensamento da criança. Uma ação que avança e atrasa.

A leitura em voz alta está também mais adequada à teoria da Linguagem. A linguagem é constituída por diferentes processos. As palavras, os gestos, a expressão corporal, os sons e os sentidos simbólicos.

As crianças interpretam com o corpo e não são estereotipadas. O stress educativo evita a espontaneidade. O esmagamento do espontâneo é feito em nome da norma. Trabalhar as palavras isoladas, sem sons, não geram ação criativa.

A leitura em voz alta como formas de recuperar a espontaneidade.

  • assumir que o som faz parte da palavra. O som integra a palavra e atribui-lhe significado. A leitura em voz alta treina a atribuição de significado. a ironia e a intenção do som só são possíveis de entender em voz alta (por exemplo – vai-te! ou  amo-te!  dependem do local de locução.

Técnica básica da oratura

  1. Conhecer o texto. Ler antes de narrar. Uma leitura mal feita é desinteressante, desmotivadora. Ler é um gesto de dávida ao outro,
  2. Sonorizar o texto: ao ler é necessário compreender o som que se quer transmitir. O significado do som é passado pela sua sonorização. Há uma melodia na leitura que é necessário procurar. O texto é como uma pauta onde há uma harmonia. (tra lá lá, tra lá lá, trá   lá lá lá lá ). Há diferentes formas de sonorizar o som, mas há que procurar a sua poética.
  3. Ensaiar. Fazer uma experiência. Tentar escutar o texto

Há pessoas que fazer uma leitura oral com naturalidade. Outras necessitam de treinar. é necessário fazer um laboratório de histórias.

Blogs sobre a narração oral

Ver o blog Narração oral

Ver folhas do mundo

A Executiva Nacional do PT e a ausência da consciência ecológica

Leonardo Boff

No dia 3 de novembro do corrente ano a Executiva Nacional do PT estabeleceu algumas diretrizes tendo em vista o 5º Congresso do Partido dos Trabalhadores. Retomou com razão o ideario que vem desde os anos 1980:”para transformar o Brasil precisa-se combinar ação institucional, mobilização social e revolução cultural”. Acrescentou agora, num contexto mudado, “a reforma política e a democratização da mídia”. Lançou uma consigna clara:”O PT precisa estar à altura dos desafios deste novo período histórico”.

É a partir desta consigna que pretendo trazer alguma contribuição, a meu ver, imprescindível para estar à altura dos desafios deste novo período histórico. Estimo que o “novo período histórico” não se restringe apenas ao Brasil. Significaria um estreitamento da análise como se o Brasil pudesse ser pensado nele mesmo, desvinculado do resto mundo no qual está irrefragavelmente inserido.

Considero acertadas as diretrizes, todas elas fundamentais, especialmente o que se esconde atrás “da…

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O Tempo não Para

Do Disco de Mariza, poema de Manuel Gameiro, para ouvir  aqui

Eu sei, que a vida tem pressa

que tudo aconteça,

sem que a gente peça,
Eu sei,
Eu sei, que o tempo não pára,
tempo é coisa rara
e a gente só repara,
quando ele já passou

Não sei, se andei depressa demais
Mas sei que algum sorriso eu perdi
Vou pedir ao tempo,
que me dê mais tempo
para olhar para ti
De agora em diante,
não serei distante
Eu vou estar aqui

Cantei,
cantei a Saudade da minha cidade
e até com vaidade, cantei
Andei, pelo Mundo fora
e não via a hora
de voltar para ti

Não sei, se andei depressa demais
Mas sei que algum sorriso eu perdi
Vou pedir ao tempo,
que me dê mais tempo
para olhar para ti
De agora em diante,
não serei distante
Eu vou estar aqui

Casa Museu Júlio Pomar em Lisboa

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No coração das Merçês, quando se desce do ceonvento de Jesus para a Rua dos Poais a são Bento, na rua do Vale nº 7 encontramos um edifício luminoso. Um antigo armazém transformado em Casa Museu Júlio Pomar pelo risco de Siza Viera, alberga o conjunto de obras do pintor.

pomartouro

pomarabril

A chuva traiçoeira levou-me a procurar um refúgio. Em boa hora o fiz, pois andada já alguns meses, talvez mesmo vai para dois anos para olhar para o sítio.Coisa do centro da cidade. Vai-se ao centro sempre sem tempo para o olhar e sentir. E esta casa museu está situada numa zona em interessante reconversão urbana.

Entre ilustrações feitas para edições como por exemplo as que Júlio Pomar faz para a monumental obra de Tolstoi “Guerra e Paz” ou a evolução do traço do artista.

O livrinho “Da cegueira dos Pintores” parte Escrita II, reúne a obra de reflexão do autor, escrita em 1985, sobre o mundo em que vive e pinta. vamos agora ler.

pomartolstoi

Pornex 1984/2014.

vida breve

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João Morgado Fernandes:

uma das reuniões mais importantes foi aquela em que convencemos adriano (duarte rodrigues), então director da faculdade, que a projecção do ‘garganta funda’, a meio da tarde, seria feita apenas para estudantes da fcsh. um inteligente jogo do gato e do rato: naquela altura, já se falava da pornex por todo o lado e o salão haveria de ficar a abarrotar de gente, com muitos estudantes de outras faculdades. mas adriano, especialista em media, fingiu que nós íamos vedar a entrada a estranhos e nós fingimos que íamos vedar. aprendia-se muito na faculdade, naqueles tempos.

(…) quanto ao que se passou recentemente com o ics e a fac dir coimbra, não deixa de ser uma surpresa, especialmente tendo em conta o tipo de instituições que praticaram o acto de censura (não tem outro nome).durante muito tempo, admiti que salazar deixou marcas muito profundas, especialmente na cabeça das…

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Simpósio da SIPLE 2014 em Londrina, Brasil – o caráter pluricêntrico do Português e a sua avaliação

Ventos da Lusofonia

Do IILP – Instituto Internacional da Língua Portuguesa e do SIPLE – Sociedade Internacional de Português Língua Estrangeira

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A Sociedade Internacional de Português Língua Estrangeira (SIPLE) realizará nos dias 6 e 7 de novembro o seu Simpósio de 2014. Este é o tema do evento: O caráter pluricêntrico da Língua Portuguesa e as práticas avaliativas.

O simpósio, que é realizado todos os anos pela SIPLE, terá como lugar o câmpus da Universidade Estadual de Londrina (UEL), cidade do Estado do Paraná, no sul do Brasil.

O objetivo do evento deste ano é de reunir professores, estudantes e investigadores do Brasil e de outros países para debater sobre a importância da formação de professores avaliadores como elemento de integração entre o ensino e a aprendizagem da Língua Portuguesa para falantes de outras línguas.

A abertura do simpósio, no dia 6 de novembro, conta com a conferência “Políticas de avaliação…

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Quão “cordial” é o povo brasileiro?

Leonardo Boff

Dizer que o brasileiro é um “homem cordial” vem do escritor Ribeiro Couto, expressão generalizada por Sérgio Buarque de Holanda em seu conhecido livro: “Raizes do Brasil” de 1936 que lhe dedica o inteiro capítulo Vº. Mas esclarece, contrariando Cassiano Ricardo que entendia a “cordialidade”como bondade e a polidez, que “nossa forma ordinária de convívio social é no fundo, justamente o contrário da polidez”(da 21ª edição de 1989 p. 107). Sergio Buarque assume a cordialidade no sentido estritamente etimológico: vem de coração. O brasileiro se orienta muito mais pelo coração do que pela razão. Do coração podem provir o amor e o ódio. Bem diz o autor:”a inimizade bem pode ser tão cordial como a amizade, visto que uma e outra nascem do coração”(p.107).

Escrevo tudo isso para entender os sentimentos “cordiais” que irromperam na campanha presidencial de 2014. Houve por uma parte declarações de entusiasmo e de amor…

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