Sonoridades do atlântico a Sul – Insularidades

LITERATURA CABO-VERDIANA: 

Artigo de reflexão sobre creoulidade em Cabo Verde . é feito a partir da proposta de periodização de Pires Laranjeira, apresentado em “LiteraturasAfricanas de Expressão Portuguesa” de Pires Laranjeira, Lisboa, Universidade Aberta, 1995, pp.180-185. É um trabalho que virá a ser desenvolvido a partir de novas leituras.

Origens

Até 1925, o período das “origens” as palavras da crioulidade são frágeis e irregulares. Encontramos uma variedade de trabalhos, literários, mas sobretudo jornalísticos, sob a influencia do romantismo e do parnasianismo.

Em 1842 é introduzida a imprensa em Santiago o que torna possível a imprensa local. Contudo aquela que é considerada a primeiro romance romance cabo-verdiano de José Evaristo d’ Almeida, O escravo (1856), será publicado em Lisboa. “O escravo” (1856) fundou o gênero romance em Cabo Verde. Foi escrito por José Evaristo d’Almeida, um português, branco, que passou grande parte de sua vida nas colônias da África. A heroína do romance é uma mulata de classe média, Maria, idealizada nos moldes românticos. Lembrando que a população caboverdiana é fundamentalmente mestiça, temos uma intenção clara do autor de valorizar na figura da jovem, um nativismo caboverdiano. No entanto, quando o narrador exalta as qualidades de Maria, acaba por reproduzir no mestiço aquilo que é entendido como qualidade para o branco europeu. Se tal procedimento não é novidade no contexto literário romântico, o é o fato dessa mulata se apaixonar por um escravo negro e não por um branco europeu. O que move a presente comunicação são as possíveis interpretações desse episódio.

Ler aqui aobra

A criação, em 1866, do Liceu-Seminário de São Nicolau (Ribeira Brava) facilitou a emergência dum conjunto de letrados que vai alimentar um imprensa periódica a partir de 1977.

Um longo hiato de quase cem anos medeia, a publicação deste romance dos alvores . O  livro de poemas Arquipélago (1935), de Jorge Barbosa, e da revista Claridade (1936), Fundada por Baltasar Lopes, Manuel Lopes e Jorge Barbosa, entre outros […].

Hesperitano

É um período de dez anos, entre 1926 a 1935, que antecede a emergências da Claridade. É o tempo em que Manuel Ferreira denomina a emergência do Cabo-verdianismo, caracterizado como um regionalismo telúrico. Ainda que em alguns textos se sinta uma clara influência do naturalismo, com temas que se tornam marca na literatura insular, como os da fome, do vento e da terra seca, ou mesmo uma inquietação ou a incomodidade da com a dureza da vida, este é um período que afirma a procura do mito hesperitano.

de certa insatisfação e incomodidade, numa atmosfera muito próxima do naturalismo.

O fundamento que leva a que se possa designar tal período como Hesperitano ressalta da assunção do antigo mito hesperitano ou arsinário, já presente nos Lusíadas de Luís de Camões. Segundo esse mito, que radica na Antiguidade Clássica, teria existido um imenso continente (Hespério). As ilhas de Cabo Verde seriam a parte do Cabo Arsinário. Camões no Canto V, est. 7 e 8 escreve

(7) “Passamos o limite aonde chega / O Sol, que para o Norte os carros guia,/ Onde jazem os povos a quem nega/ O filho de Climene a cor do dia. / Aqui gentes estranhas lava e rega / Do negro Sanagá a corrente fria, / Onde o Cabo Arsinário o nome perde, / Chamando-se dos nossos Cabo Verde.

(8) “Passadas tendo já as Canárias ilhas, / Que tiveram por nome Fortunadas, / Entramos, navegando, pelas filhas / Do velho Hespério, / Hespérides chamadas; / Terras por onde novas maravilhas / Andaram vendo já nossas armadas. / Ali tomamos porto com bom vento, / Por tomarmos da terra mantimento.

A Claridade

O movimento da claridade desperta em 1936 em volta da revista com o mesmo nome e assume o modernismo como proposta estética. O movimento assume a herança poética do mito. Essa apropriação permite-lhes escaparem à limitação da pátria portuguesa, por se assumirem como herdeiros duma outra pátria interna, íntima, simbolicamente representada pela pertença à esse herança da Atlântida, que lhes permite, igualmente afastarem do continentalíssimo africano. Até 1957 esta revista marca a publicação de matéria literária, afirmando as especificidades regionais. .

O Cabo-verdianismo

A partir de 1941 outras estéticas emergem no panorama literário. A emergência do neo-realismo vai ultrapassar os claridosos, introduzindo temáticos sociais, procurando propostas estéticas que radicam na revelação das vivências locais. Em 1941, publica-se o livro de poemas de Jorge Barbosa “Ambiente”, António Nunes publica em 1945 “Poemas de longe”, e Manuel Lopes, em 1949 os “Poemas de quem ficou”. Na literatura Baltasar Lopes publica em 1947 “Chiquinho” em em 1956 Jorge Barbosa publica “Caderno de um ilhéu

A Caboverdianidade

É um período de quase 10 anos (1958 a 19659 que se agrega em torno do “Suplemento Cultural”,  do Boletim de Cabo Verde, onde, acompanhando a proposta da negritude se assume a necessidade de uma nova cabo-verdianidade. ´Datam deste período os artigos de Gabriel Mariano (1958), e o ensaio de Onésimo Silveira (1963), que marcam a proposta estética e de combate deste movimento. Fizeram parte deste movimento Gabriel Mariano, Ovídio Martins, Aguinaldo Fonseca, Terêncio Anahory e Yolanda Morazzo.

O universalismo e consolidação

O universalismo agrega uma abordagem mais intimista e cosmopolita da estética literária, mais aberta ao abstraccionismo. A consolidação da literatura de Cavo Verde emergirá a partir da edição da revista Ponto e Virgula (1983-1987), dirigida por Germano de Almeida de Leão Lopes

Ferro Gaita

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