Tristes Fados e Diálogos sobre os Patrimónios

Tristes Fados e Diálogos sobre os Patrimónios

Museu AfroDigital - Estação Portugal

dialogosurbanos

A propósito do posta anterior, já tínhamos apresentado este livro Diálogos Urbanos de Carlos Fortuna e Rogério Proença Leite, publicado em 2013, na série Cidades e Arquitectura da coleção CEs da editora Almedina,

Do seu prefácio afirma-se “Diálogos Urbanos é um livro sobre proximidades e distâncias entre e dentro das cidades. Escrito com um olhar crítico, o livro enfrenta o desafio duplo de revelar aquilo que estas proximidades e distâncias mostram e aquilo que tornam invisível ou escondem” .

Esta proposta materializa-se no trabalho através de três secções. (I) Territórios em Mudança, (II) Expressões de Cultura, e (III) Património em Diálogos.

Nesta última secção retemos o dialogo entre os processos de patrimonialização do Fado em Lisboa e do Samba no Rio de Janeiro. Luciana Mendonça e Paula Abreu falm das diferenças e das semelhanças entre os dois processos. Trata-se dum assunto que nos interessa, ao qual temos vindo…

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Paisagens Sonoras e Escuta do espaço: a realidade conotativa

Global Heritage - Local Memories

paisagemsonora

Publicado em maio de 2014, pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, este livrinho, o nº 44 da coleção de divulgação “ensaios da fundação”, da autoria de Carlos Alberto Augusto  é um livro de reflexão sobre o património contextual da vida coletiva.

Já em 2013, no âmbito da Exposição Baixa em Tempo Real, lugar tínhamos abordado a questão da paisagem sonora da biaxa, na continuidade dos trabalhos que haviam sido propostos por Carlos Furtuna em Cidade Cultura e Globalização. Temos feito algumas recolhas de sonoridades urbanas, para ilustrar um álbum que tarda a sair,

A relevância desta obra  de Carlos Alberto Augusto é o de chamar a atenção para o exercício da escuta como componente do planeamento urbano e como elemento patrimonial. Ouve-se pouco e mal e raramente se pensa sobre os efeitos do ruído na qualidade de vida. Fala-se muito da competitividade nacional, do turismo e das…

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Angola: III Congresso Internacional de Língua Portuguesa de Luanda

Ventos da Lusofonia

Das Agências Lusa e AngolaPress

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Entre os dias 18 e 20 de setembro de 2014, ocorre o III Congresso Internacional de Língua Portuguesa de Luanda, cujo tema é Unidade na Diversidade. O local é a Universidade Jean Piaget de Angola, situada no município de Viana, na província de Luanda.

O comunicado de imprensa do evento esclarece que o encontro pretende divulgar os mais recentes estudos linguísticos da Língua Portuguesa, discutir sobre a diversidade linguística em Angola nos países lusófonos, analisar a associação da competência gramatical dos falantes das línguas africanas e do desempenho na Língua Portuguesa e, ainda, identificar a relação existente entre as literaturas africanas e a Língua Portuguesa da África.

Alguns dos temas em análise: a Língua Portuguesa e a hermenêutica dos textos orais africanos; a normalização linguística perante a inovação; os estrangeirismos; a fixação do vocabulário técnico; o Acordo Ortográfico; a Língua Portuguesa no ensino…

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Crescer como cresce uma montanha

Crescer como cresce uma montanha

Já aqui abordamos nos diários de viagem (ver aqui e aqui) a questão dos provérbios e da sua abordagem no campo de museologia, Durante o 9º Congresso de Estudos Africanos que se realizou em Coimbra encontramos um pequeno livrinho “Rio sem Margem”, que já nos inspirou.

Trata-se dum  2º livro sobre poesia de tradição oral, publicado por Zetho Cunha Gonçalves, na editora nossomos, em 2013.

riosemmargem

A leitura deste livrinho veio acentuar o valor do uso deste tipo de material, com origem na oratura para o trabalho de construção de narrativas museológica. A sua cartografia constitui um bom motivo para o desenvolvimento de trabalhos participativos.

Vejamos este exemplo, oriundo da tradição oral Nyaneka- Humbi que liga a poesia á oratura

Crescer como cresce uma montanha

Se és mais velho, propõe – e lança a advinha,

se és um jovem, ou uma criança, decifra o seu enigma

– e crescerás, como cresce uma montanha

É o primeiro provérbio. Vamos aqui dando conta dos seguintes. Isso leva-nos à pergunta sobre qual a idade da voz humana. Esse canto que nos liga através do tempo.

Em Coimbra li estes textos e dei-me conta que estes rastos do passado nos chegam através da poesia. E uma forma de tornar social o individuo. E também através da voz que o saber se foi transmitindo. Pequenos poema tornados provérbios. A poética na sua forma escrita, e também uma ponte entre os tempos. A voz, sendo individual transporta   o coletivo.

Poesia Negra de Expressão Portuguesa.

Em maio de 1953, Francisco Tenreiro e Mário Pinto de Andrade organizam e editam em Lisboa o “Caderno de Poesia Negra de Expressão Portuguesa”., com um arranjo gráfico de Mário Domingues. Em 2012, a editora Nossomos, reedita estes cadernos numa versão fac-similada, que agora encontramos no 9º Congresso Ibérico de Estudos Africanos, que se realizou em Coimbra em Setembro de 2014.poesinegra

Uma capa de cartão, negra, com letra em azul cinza, envolve o papel de boletim do caderno. Na lombada breves palavras de Luís Kandjimbo, contextualiza a produção. Logo de início assinala o seu carater legitimador. Este caderno constitui, um elemento seminal na constituição das literaturas de expressão portuguesa. A convergência duma geração de autores africanos em Lisboa, oriundos das então colónias africanas, haviam criado em 1951 o Centro de Estudos Africanos. Expressavam a vontade de pensar África a partir de África.

Esta vontade ontológica introduzia, na senda do que propôs Aimée Cesaire e como Mário de Andrade assinala na sua introdução, uma vontade de compreender e entender os contextos de produção poética nas sociedades africanas. Tratava-se de olhar para a produção poética como uma forma de expressão social. É a procura deste conteúdo social que levou ao uso da literatura, e neste caso da poesia, como arma de construção das identidades.

Essa posição, afastou então estes jovens estudantes da procura das expressões estéticas e introduzia um elemento de ruptura na tese da unidade cultural do império colonial português. Por isso foram perseguidos pela polícia política. Anos mais tarde esses países seriam independentes. A língua nacional foi o português. Daí o carácter seminal destes textos, que condensam, vinte anos antes, o cânone do campo das literaturas de expressão portuguesa.

Introduzem a dimensão africana na lusofonia. Teria havido lugar à lusofonia sem África ?